“Os deleuzianos da UFF…”

By julie

Quando fulanim diz por aí “Ah, os deleuzianos da UFF…”, ou “ah, esses deleuzianos…”, estão operando aquela velha e conhecida categorização redutora que faz parecer como se todo o raio de alcance daquilo que sustentam esses indivíduos pudesse ou devesse ser restrito ao interior do próprio “grupo”.
Ao dizer isso transformam (ou pensam transformar) as implicações do pensamento desse autor e daqueles com quem dialoga ou se pode fazer dialogar em mais uma categoriazinha estéril dentre o infinito arquivo de categorias moderno.
Mal sabem o quão vão é o seu movimento. Esse pensamento não cabe em nenhuma gaveta; ele (junto com tudo aquilo que mesmo sem saber o acompanha) é índice da maravilhosa implosão desse gigante edifício de arquivos e projetos.

 

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5 Respostas para ““Os deleuzianos da UFF…””

  1. Juba Disse:

    É um movimento de captura, recionário, que reinvindica uma Identidade, como gosta de ver tudo no seu devido lugar, organizado. Cada qual com seu nome, que o localiza, e mante tudo parado, estático: é tão difícil perceber os movimentos…. e dizem que ele é só uma sucessão de poses, variação de espaço etc. O que dirá mergulhar, ou melhor entrar no bonde. Eles esquecem que História é uma coisa que não existe, contada por alguém que não estava lá…

  2. Juba Disse:

    Para que nomear, se era verde e voava…. (Mario Quintana)

  3. julie Disse:

    : )

  4. Cleber Lambert Disse:

    Bom dia cara Julie,

    Creio que não haja um movimento de nomeaçao sem um outro movimento de aglutinaão em torno também, pois realmente aqueles que se creem isso ou aquilo, deleuziano ou cartesiano, pouco importa. Não creio que isso em si seja criticavel, o que me constrange realmente é o critério utilisado na maioria das vezes para classificar o outro ou para se auto-classificar como isso ou aquilo. No caso dos “deleuzianos”, na maior parte dos meus contatos, se trata de pessoas que empunhando alguns conceitos na mão e pregando, sem nenhuma preocupação de apropriação que implica, num movimento consistente do pensamento, um bom numero de reservas, criticas, transformações, pregando esses conceitos como formulas magicas para devir isso devir aquilo podem desde então se credenciarem ao titulo de deleuziano. Creio que isso não seja um problema, para usar uma formula “bergson-deleuziana” ser deleuziano ou não ser deleuziano, classificar outrem como tal ou qual é um falso problema. Existem coisas mais importantes e urgentes, quiça coisas emergentes, que fazem apelo a um movimento verdadeiro do pensamento e da vida. Mas algo me preocupa, do mesmo modo que Nietzsche dizia, quanto mais alto na escala do saber alguém é, mais reprovavel é ser cristão, do mesmo modo eu diria que quanto mais intimo alguém se crê da filosofia de Deleuze, mais trivial, mas talvez mais perigoso, se torna se auto-nomear “deleuziano”.Nietzsche concluia, o filosofo é o cristão mais depravado, eu concluo, o professor deleuziano é o mais perigoso e trivial ao mesmo tempo.

    Cordialmente,

    Cleber Lambert

  5. Cleber Lambert Disse:

    Corrigindo a primeira frase que esta incompleta, continuando a partir de”pouco importa”: não o fazem sem um movimento como bem disse o senhor Juba de captura, de reação, em todo caso, de cristalização em torno de uma forma que dê sentido necessariamente de fora, pois ser deleuziano ou cartesiano implica nessa copula que atribui essa qualidade ao sujeito que a enuncia um movimento pelo qual o exterior se vê violentamente dobrado na direção dessa coisa que é um eu englobante, um eu comilão tipico de nossa contemporaneidade de fast food conceitual.
    (e aproveito para corrigir um erro na linha 13, podem se credenciar… no lugar de podem se credenciarem, deve haver outros, sinto muito).

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