Tudo o que se passa é o que se passa.
(só se passa aquilo que se passa)
Todos os acontecimentos são necessários — simplesmente pelo fato de que somente há o que há.
Toda e qualquer unidade existe em acoplamento estrutural com o todo.
Todas as unidades são “pequenos todos”, formados por outras unidades e compreendidos dentro de outro(s) todo(s). Dessa maneira se compõe tudo o quanto existe. A realidade é fractálica.
Tudo é composto; tudo se compõe (e recompõe) a cada instante e eternamente a partir de uma dinâmica circular e constante de mútua interferência.
(não existe desajuste)
A dinâmica da realidade é o plano de atualização do princípio uno da existência.
Toda a estrutura fractálica e de eterno devir da realidade é, em essência, um uno – O Uno.
02 de março de 2008
Abril 28, 2008 às 8:10 am
Trata-se de uma citação ou é uma construção tua mesmo? De qaulquer modo, coloco algumas questões (se isso for impertinente ou aos teus olhos puro diletantismo, pedantismo, advirta-me, do meu lado se trata de colocar questões para um dos meus unicos contatos do Brasil que ousam pensar, além de você não que senão três outros). Primeiro, não se trata de te perguntar se você acredita ou não em Deus (repare no meu D, que implica absolutização e transcendência), isso seria trivial e sem importância saber se você crê ou não. Trata-se de saber o que é Deus para você. Se ele é para você bem uma forma ou principio que funda toda estrutura de dominação, de movimentos verticais, de organizaçãos dos corpos no seu livre jogo, então você deve problematizar algumas palavras que não sao reprovaveis nelas mesmas enquanto palavras, mas pelas forças que elas carregam, para falar proximo de Nietzsche. Refiro-me às palavras “unidade” e “todo”, eles implicam um movimento necessario de fechamento e de absolutização vertical, a unidade não se unifica sem deixar cair num fundo do qual ela se eleva como totalidade, as diferenças, as multiplicidades que nao tendo direção continua, correm para todos os lados (Alice crescendo nos dois sentidos ou o acontecimento segundo os estoicos do Deleuze). A frase também é problematica: Toda e qualquer unidade existe em acoplamento estrutural com o todo. talvez eu seja muito severo em relação a esta frase, mas o principio de marcha das tropas nazistas nos desfiles em Berlim talvez obedecessem ao mesmo principio e também o da exterminação de todo e qualquer judeo se dava em acoplamento estrutural com o todo, ou seja, com a transcendência de uma certa imagem do que é o homem que merece viver e do nem tanto humano que merece morrer. Não aceitaria como argumento que essa unidade é aquela do movimento de brotamento implicada pelo rizoma como todo, pois nãoha homologação possivel entre o todo e o rizoma (no caso de uma tentativa em salvar um sentido positivo para essa frase…). A dinamica circular ja é mera conseqüência desse movimento do absoluto como transcendência, e o real como mera atualização desse principio elimina toda possibilidade de criação, a qual é para um pensamento tranquilamente ateu, politicamente poblematico como seria o que eu busco, necessariamente desarranjo, puro desarranjo, maravilhosamente desarranjada, desarranjada por natureza, que por conseqüência não reconhece nenhum principio que se coloque numa dimensão acima dos elementos em jogo, nenhum Uno portanto, seja ele transcendente, seja ele unidade miraculada, pois se os jogos de forças são bem encontros de multiplicidades, não havera unidade possivel no principio do real, não havera principio algum na verdade.
Cordialmente,
Cleber Lambert
Abril 28, 2008 às 5:24 pm
Não entendo a relação da letra maiúscula com a transcendência.
Abril 28, 2008 às 11:34 pm
Na velho jargão filosofico, o principio vem enunciado com maiusculas, o Um, o Fogo, Deus. Aproveito para me corrigir, creio que falamos em exterminio, e não exterminação e mais abaixo é “movimento implicado” e nao movimento implicada como aparece. heheh