Linguagem, Lógica (memória)

By julie

10 de março de 2008

 

Referir é meta-experienciar. Deixo de ser parte do mundo indiviso dos fenômenos e ascedo para o meta-mundo da linguagem.

Referir é categorizar. E categorizar é estabelecer como unidade lógica. Porque não existe o conceito solitário. Estabelecer um conceito é operar uma delimitação sobre o real. Automaticamente produz-se pelo menos um outro conceito, que é aquilo que permanece de fora da delimitação do primeiro. Uma linha de circunscrição estabelece sempre duas regiões: a de dentro e a de fora. Uma vez estabelecidas, a partir de um movimento único, essas duas regiões já estão inseridas numa relação lógica. Numa relação lingüística, relação semântica. Dessa forma, língua e raciocínio (capacidade de operacionalização lógica) são não apenas co-emergentes, mas são o mesmo. O idioma grego atesta: Lógos. O raciocínio é a linguagem; a lógica é a capacidade de manipular categorias e conceitos observando seus atributos.

Observo que a capacidade de manipulá-los não é outra que a capacidade de criá-los. A criação de um conceito já é o seu posicionamento como termo em uma relação lógica. Ele já nasce situado num sistema lógico. Porque, na verdade, o que se cria não é o “conteúdo” do conceito, mas a linha de circunscrição que delimita o conceito. Há sempre o “conteúdo” de dentro e o de fora. Eles sempre já nascem em relação (eles são relação).

A linguagem, a lógica, o raciocínio, me parecem um encontro de três coisas: a experiência, a abstração e a memória.

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